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29/02/2012 / Giuliana

Eu não sei viver na incerteza. Perco o chão e minha sanidade quando não tenho controle de tudo que acontece ao meu redor. Não posso conviver com dúvidas martelando minha mente, noite e dia, tirando meu sono e fazendo meus olhos arderem com as milhares de lágrimas que elas provocam. Eu não peço muito, só peço controle. Digo… Peço muito, sim. Mas peço porque preciso. Não podes cobrar de mim que deixe de ser assim, não podes mesmo. Eu nasci assim. De 28 em 28 dias eu choro feito um bebê pelo simples fato de terem errado o sabor do meu sorvete; e eu, também, preciso saber como as pessoas se sentem, então eu pergunto milhares de coisas, e quero respostas claras (lê-se ‘as respostas que eu quero’).

É impossível, para mim, viver na incerteza, porque eu penso longe… Longe até demais. Sou do tipinho que já sabe o nome dos filhos, a cor da parede da sala-de-estar e quantos tipos de flores vão ter na decoração do casamento. É claro que eu preciso ter certeza de que quem vai passar por tudo isso comigo, QUEIRA passar tudo isso comigo. Sei que sou equivocada, sei que pressiono demais e sou impaciente; mas não sou maluca, sou sonhadora. Quero que tudo saia o melhor possível, e tu não podes me culpar por derramar lágrimas assim, como quem derrama água no chão; todos os que estiveram comigo até agora se foram, e eu não quero virar as costas mais uma vez para alguém por quem eu tenho tanto afeto e tenho tanto amor pra dar.

Não vou implorar, não quero. Mas preciso de certezas, para que eu possa recostar minha cabeça no travesseiro a noite e saber exatamente o que eu quero e com quem quero. Quero poder dar um perspectiva real aos meus tantos sonhos sobre o futuro. Não vou pressionar, não vou interferir, mas quero deixar isso claro. Sobrevivo de repostas, e preciso delas.

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09/02/2012 / Giuliana

08/02/2012 / Giuliana

Um brinde ao fracasso.

Nós, pessoas, passamos boa parte da nossa vida chorando amores perdidos. Quando alguém frustra nossos sonhos, nos colocamos a chorar, pois estamos fadados a nos acostumar e nos habituar com as situações. Ficamos vários meses, até anos, com uma pessoa, julgamos conhecê-la, fazemos planos para o futuro, sonhamos alto, nos entregamos completamente a ela; e então, quando essa pessoa nos decepciona, todos os nossos sonhos descem ralo a baixo e tudo que fazemos é chorar, pensar que nunca outra pessoa vai tomar o lugar dela, pensamos que é o fim do nosso mundo. Mas, honestamente, essa “perda” pode ter sido boa, essa pessoa pode ter sido a melhor coisa que nunca lhe aconteceu.
Fracassos em amor eu coleciono, ilusão é meu nome do meio. Eu amo gente que nem sabe que eu existo, assim como milhares de garotas da minha idade. E eu levei muito tempo até entender que aceitar essa perda é fácil, é só deixar ele ir. Eu pensava que seria difícil, que nenhum outro ia ser assim, eu sinceramente pensava que nenhum outro ia passar por algumas coisas por mim. Nessa minha insegurança, bati a cara no muro várias vezes, abri meu coração pra gente que só soube pisar nele e deixá-lo enterrado em um canto qualquer. Juntei os cacos dele tantas vezes… Montei, quebraram, remontei, e esse foi meu ciclo vicioso. Comecei a achar que o problema era eu… Imaginem, eu com 16 anos achando que o problema era eu! Entrei em um colapso, me afundei em um poço, demorei até entender que meu coração precisava de uma pausa, um descanso. Dei umas férias pra ele, deixei ele se curar, tirei tudo de ruim que havia dentro dele e me vi pronta pra recomeçar. E assim, sem nenhum esforço, meu coração encontrou alguém que não quis machucar ele, que não quis ver ele despedaçado. Ele foi atraído por alguém que queria tapar os buracos da estrada em que eu caminhava, alguém que queria me ajudar e me ver bem. E eu, renovada, aprendi a me entregar novamente, dei meu coração destruído e vi ele ser reconstruído, com cuidado, e tive certeza de que todos aqueles babacas que destruíram meu coração eram, na verdade, ogros, zumbis comedores de gente, por me tratarem tão mal.
Eu gostaria de desejar a todas as gurias que sofrem com esses ogros que eles as decepcionem bastante, assim quando um guri bonzinho vier ajudar elas, elas vão saber a diferença entre eles e vão entender, assim como eu entendi, que os milhares de fracassos pelos quais eu passei, serviram para glorificar minha vitória.
Um brinde, a todos vocês, que um dia, me deixaram em prantos e gastaram minhas lágrimas, sem vocês, hoje, eu não seria tão feliz!

Há males que vem para o bem.

03/02/2012 / Giuliana

Eu não sei lidar. Mais um vez.

Eu, logo eu, que sempre mantive os pés no ar, nunca os preguei no chão, sempre fantasiei, sempre usei de artifícios pra desviar da minha realidade.

Cá estou, enterrada até os cabelos na realidade que eu tanto quis longe. 

09/09/2011 / Giuliana

Romeo and Juliet

O sol brilha fraco enquanto nasce no velho continente, tingindo suas peles com um amarelo-claro e fazendo as gotas de orvalho cintilarem. Ela sorri ao ver que ele caiu no sono antes de ver esse verdadeiro espetáculo da manhã. Restavam poucas horas de liberdade; ela passou a mão sobre os olhos dele e lhe beijou a testa. “Deveria ser tudo assim, tão fácil… Como essa alvorada” pensou ela enquanto enrolava os dedos no cabelo. 

“Acorde, Romeu!”, ela disse baixinho no ouvido dele. Ele acordou e olhou profundamente nos olhos dela. Eles eram tão certos quanto ao que sentiam, eles tinham tudo que um casal precisa pra dar certo, eles estavam em estado de pura paixão do qual não queriam se desvencilhar. 

Pobres almas, iludidas e cegas pelo amor, já soube desde sempre que ‘só amor não basta’. Ouvi em milhares de telenovelas a frase clichê da personagem interesseira ‘amor não paga conta, não enche mesa’. Nunca basta, amor nunca basta. Não bastou para Romeu e Julieta, quem dirá para nós… Meros mortais anônimos e complexos. Não faça bastar, não nos acomodemos em um estado de falsa paz, façamos com que o que não baste se torne complemento. Nada nasce sem amor, nada perdura sem amor.

Talvez seja o tempo errado, ou talvez seja o tempo certo. Talvez esses sejam os primeiros dias do resto de nossas vidas.

02/09/2011 / Giuliana

Relatos de um roto coração

Era uma vez uma guria, perfeitamente saudável, que sabia amar e queria ser amada. Ela era ingênua, defeituosa e sem nenhuma experiência; não tinha freios e entregava seu límpido coração para qualquer um que demonstrasse algum interesse em o possuir. Nas primeiras vezes eles deixavam o coração dela cair no chão, esqueciam em algum lugar ou tropeçavam nele; nada que deixasse muitas sequelas. Algumas vezes deixaram ele cair de um segundo andar, ou deixaram uma bicicleta passar por cima dele, mas tudo foi recuperado. Mas houve um dia em que um deles usou o coração dela como calço de mesa por dias, brincou de jogar ele na parede e deixou o cachorro brincar com ele. As sequelas foram maiores, ela levou algumas semanas para recuperar o prejuízo, mas consertou. Mas então, depois de muito tempo canalizado parar sarar todas as feridas e arranhões, ela entregou seu coração cheio de remendos e band-aids para um guri bonzinho, que aparentemente não causaria nenhum dano. Ela deu seu coração pra ele em tempo integral, ele era o sangue que corria nas veias dela. Mas ele não soube cuidar do coração dela, desistiu no meio do caminho, não disse nem adeus, e não devolveu o coração pra ela. Quando ele devolveu, ele voltou com as mais diversas marcas, aberturas e arranhões possíveis, ele jogou o pobre coração dela do 7º andar de um prédio qualquer e não prestou socorro, ele afogou o coração dela em uma piscina funda e deixou o coitado afundar como uma pedra pesada. E como se não bastasse, o próximo que quis se apossar do coração da pobre guria tratou de terminar o trabalho, pisou no coração enterrado, aumentou as feridas e tornou tudo mais terrível ainda.

Coitada da podre guria… Com um coração destruído e sem ninguém para sarar as feridas dela. Com o tempo ela parou de chorar e começou a restaurar o que sobrava do seu coraçãozinho sofrido. Levaram alguns meses, ela fixou muita coisa e colocou quase tudo no lugar, todas as feridas começaram a cicatrizar e ela se sentiu mais forte. Ela aprendeu uma grande lição, ela aprendeu que ninguém pode merecer o coração dela sem provar que realmente merece. Desde então ela soube guardar seu coração em uma caixa-forte, com chaves e cadeados, bem longe de qualquer guri machucador, pra nunca mais perder seu tempo sarando feridas.

15/08/2011 / Giuliana

Sobre oxigênio, sobrevivência e feridas permanentes.

Tento em vão tapar com band-aids as gigantescas feridas expostas que tu deixaste no meu coração. Tento em vão apagar as memórias… As nossas memórias. Tento em vão respirar em um mundo onde meu ar não tem mais teu nome. Tento em vão imaginar minha vida sem ti, viver minha vida sem ti. Tento em vão consertar aquilo que não tem conserto. Tento em vão trazer pro presente aquilo que não pode mais voltar do passado. Eu grito teu nome a plenos pulmões, esperando uma resposta, uma luz, mas tudo que eu escuto são os ecos do meu desespero.

Não existe um único dia da minha vida, desde que eu te conheci, que eu não pense em ti, em nós. Como poderia ter sido, como teria acontecido, o que teríamos feito, como teríamos agido diante de tantos problemas. Tento disfarçar tua covardia contando um monte de mentiras e falseando sorrisos ao dizer por ai que “não deu certo”. Foi tu quem não deu certo. Tínhamos tudo pra dar certo, éramos perfeitos. Talvez perfeitos demais… Talvez seja esse o problema, já que quem não tem defeitos, tem virtudes horríveis.

Tu foi meu ar, meu céu, meu chão. E hoje eu estou aqui, juntando cacos e tentando me levantar pra continuar minha vida sem ti. Tu achas que isso é possível? Tu achas que depois de tanto tempo te respirando é fácil assim ficar sem ar? Tu foi meu tudo e me deixou sem nada. Tu foi meu maior sonho e hoje vivo meu pior pesadelo por tua causa. Nada disso é justo, mas eu não ligo. Continuo feito uma perfeita idiota achando que tudo vai dar certo, que tudo vai voltar a ser como era antes. Sou uma tola, uma boneca de pano nas tuas mãos, e tudo o que tu fez foi arrancar meus cabelinhos, puxar minhas perninhas e me jogar na caixa de brinquedos. E eu não sei lidar.